Bossa Nova 50 anos: Coleção Folha nas bancas
Foto: Folha Imagem
Capa do livro/CD sobre Tom Jobim, Volume 1, Coleção Folha 50 anos de Bossa Nova
Primeiro foi a Editora Abril, que vem publicando na edição mensal da Revista Bravo o suplemento “Coleção Bravo, 50 anos de Bossa Nova”. Agora é a vez do Grupo Folha que a partir deste domingo (10), coloca nas bancas a “Coleção Folha 50 Anos de Bossa Nova”. Diferente da Editora Abril, que publica um fascículo impresso (o do mês de agosto - número 8 - é dedicado ao compositor e músico Roberto Menescal), a coleção da Folha é composta por 20 livros-CDs e em 19 semanas vai traçar um panorama desse estilo musical derivado do samba que se imortalizou.
Os dois primeiros volumes são dedicados ao maestro Antonio Carlos Brasileiro Jobim e ao cantor Dick Farney. São vendidos juntos, no sistema "leve 2 e pague 1". Outros ícones da Bossa Nova, como o poetinha Vinicius de Moraes, o músico e compositor Baden Powell, o músico e compositor Carlos Lyra, a cantora Nara Leão, o maestro e instrumentista João Donato e o cantor Johnny Alf, também terão suas obras nas edições seguintes.
"As pessoas continuam apaixonadas pela bossa nova", diz o jornalista, escritor e colunista da Folha Ruy Castro, convidado para redigir os textos da coleção. "Hoje você pode ver numa loja uma parede inteira de CDs de bossa nova. Raramente há uma semana que não tenha um show do Roberto Menescal, da Wanda Sá, do Carlinhos Lyra ou do Marcos Valle. Além disso, tem uma garotada nova tocando muita bossa nova por aí."
Ruy Castro é autor de livros dedicados ao estilo, como "Chega de Saudade - A História e as Histórias da Bossa Nova" (1990) e "A Onda que se Ergueu no Mar - Novos Mergulhos na Bossa Nova" (2001). Ele, no seu estilo característico, mostra na coleção da Folha os perfis de 20 de seus compositores, intérpretes e instrumentistas mais significativos.
O escritor lamenta apenas o fato de João Gilberto, músico essencial na criação da bossa nova, ter recusado o convite para participar da coleção por não aceitar o modelo proposto. "João Gilberto tem todo o direito de se esconder em casa, de não sair à rua nem para comprar um retrós. Mas a sua obra, de certa maneira, já não lhe pertence integralmente. Ela faz parte do patrimônio da humanidade. João não deveria cercear a sua divulgação", diz o jornalista e escritor, um dos colaboradores do alternativo “O Pasquim” na década de 60 e 70.
Castro acha que a lista dos 20 nomes escolhidos para a série pode até não agradar a todos os fãs do gênero, mas acredita que essa é uma reação natural, tratando-se de uma corrente musical que revelou tantos grandes talentos. "As possíveis discordâncias que as pessoas possam ter em relação a esses 20 artistas só demonstram a força da bossa nova. Tirando Tom, Vinicius, Baden, Carlinhos Lyra e mais um ou outro nome que são obrigatórios, você poderia fazer outra lista inteiramente diferente de grandes artistas", observa ele.
Além de sintetizar a obra e a personalidade do artista focalizado, cada volume da coleção traz as letras das canções incluídas no respectivo CD. Inclui também frases do músico, discografia selecionada, bibliografia e lista de participações em projetos especiais e trilhas sonoras.
Na seleção para as faixas dos CDs, houve a preocupação de incluir, quando possível, gravações menos comuns. É o caso, por exemplo, de três faixas do CD dedicado a Roberto Menescal (volume 11), que foram lançadas originalmente no compacto duplo "Bossa É Bossa", em 1959, pela gravadora Odeon. "Esse foi o primeiro disco que trouxe a expressão bossa nova na capa. E essas gravações nunca tinham saído antes em CD", comenta Ruy Castro.
(com informações da Folha de S.Paulo)





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